Revista Autor

Política, Economia, Sociedade, Internacional e Direito

Os limites dos BRICs e a crise mundial PDF Imprimir E-mail
Economia
Escrito por Corival Alves do Carmo   
Qui, 01 de Julho de 2010 19:17

A expectativa é que a China cresça este ano na casa dos 10%, o Banco Central prevê que o Brasil crescerá acima dos 7%. Essas taxas de crescimento irão acentuar os discursos sobre a ascensão dos emergentes. Entretanto, a realidade da economia mundial é mais complexa.

 

É verdade que as taxas de crescimento dos países emergentes são maiores. Mas também Angola alcançou nos últimos anos taxas de crescimento similares às taxas chinesas. Mas isso não mudou a posição de Angola na economia mundial. De fato, em relação aos BRIC, apenas a China vive uma ascensão consistente na economia mundial, não apenas conquista posições no comércio internacional como também reorganiza as economias do sudeste asiático no seu entorno. A tendência, mesmo para a economia japonesa, é que a dependência em relação à economia americana diminua e aumente os fluxos comerciais com a China. Nada parecido ocorre com os demais. A participação da Índia no comércio internacional não cresceu de modo significativo, a economia indiana cresce, mas a Índia ainda é um país atrasado. O fato positivo para a Índia é crescer a participação no comércio de serviços, desenvolver o setor de informática. Mas em termos globais, a economia indiana está muito defasada em relação à China.

A Rússia, suposta potência emergente, se tornou um grande exportador de produtos primários. O petróleo e o gás da Rússia lhe dão poder geopolítico para manipular as relações internacionais, principalmente afetar a União Européia e suas relações com a Ucrânia e países bálticos. O peso da Rússia na economia mundial é baixo, não apresenta uma liderança econômica e apesar das declarações do governo russo sobre implantar reformas para alterar esta situação até o momento isso não ocorreu.

As limitações do Brasil são distintas. Internamente o Brasil é uma forte economia industrial, mas a competitividade do setor industrial brasileiro no mercado internacional é baixa comparativamente ao seu setor agrícola. Então a inserção internacional do Brasil se faz prioritariamente baseado na expansão das exportações primárias, mas esta expansão não permitiu que a participação do Brasil no comércio internacional crescesse de forma significativa.. Em geral, o crescimento do mercado interno brasileiro reforça a opção do setor industrial do país de se preocupar mais com o mercado interno do que com a conquista do mercado mundial. Portanto, o crescimento da economia brasileira, em princípio, reforça as características tradicionais da economia brasileira. Além disso, o ativismo do Brasil em termos de política externa não se expressa numa posição ativa frente a posição econômica do Brasil no mercado mundial, aqui se adota uma posição passiva. O ativismo político não se casa com um ativismo econômico apesar do Brasil participar de todos os debates sobre as regras do comércio e das finanças internacionais.

A partir deste quadro o que se constata é que a crise amplificou a importância dos BRICs, mas de fato, estes países não estão ainda em condições de assumir as responsabilidades, o ônus da gestão da economia mundial, exceto no caso da China.

 

Nosso(a) colunista Corival Alves do Carmo está conosco desde Ter, 28 de Outubro de 2008.

Ver outros artigos deste(a) autor(a)